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17 Abr, 2017

ADOÇÃO DE MÉTODOS PARA A SEGURANÇA DO PACIENTE E SEUS IMPACTOS NAS ORGANIZAÇÕES

Segundo a ONA (Organização Nacional de Acreditação), menos de 4% dos hospitais brasileiros seguem normas pré-estabelecidas pelo processo de acreditação, que visam à segurança do paciente.

Neste sentido, uniu-se a duas grandes instituições que também buscam colaborar com a melhoria da assistência: o IBSP (Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente) e o ISMP (Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos) para fomentar a campanha “Abril pela Segurança do Paciente”, com intuito de mostrar que os padrões de qualidade e segurança podem ser adotados por todas as organizações.

Para explorar melhor os dados estatísticos e enfatizar a importância de se implementar processos que garantam a segurança do paciente, entrevistamos o Dr. Péricles Góes da Cruz, gerente de relações institucionais da ONA e Dr. José Branco, diretor executivo do IBSP:

YC: O Brasil possui 6.500 hospitais com registro no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde). Desses, quantos são acreditados ONA e quantos estão em processo de acreditação?

Dr. Péricles Góes da Cruz: Existem atualmente 257 hospitais acreditados pela ONA em todo o Brasil. Desses, 70 estão no primeiro nível (Acreditado), que indica que as instituições atendem aos critérios de segurança do paciente em todas as áreas de atividade, incluindo aspectos estruturais e assistenciais. Em segundo nível (Acreditado Pleno) estão 79 deles, são instituições que, além de atender aos critérios de segurança, apresentam gestão integrada, com processos ocorrendo de maneira fluida e plena comunicação entre as atividades. Já em terceiro nível (Acreditado em Excelência) estão 108, são instituições que possuem culturas organizacionais voltadas para a melhoria contínua dos processos, com indicadores de acompanhamento e autoavaliação.
O processo de acreditação é sigiloso. A IAC escolhida para a avaliação faz a visita e elabora um relatório completo que é enviado para a ONA. Em até 30 dias, a ONA homologa o resultado e, caso a instituição tenha sido acreditada, emite o certificado e divulga o resultado no seu portal. Durante esse processo nós não abrimos quantas organizações estão sendo avaliadas.

YC: Qual a principal dificuldade das instituições em adotar processos de qualidade e segurança do paciente?

Dr. Péricles Góes da Cruz: O envolvimento da alta liderança é decisivo para a conquista da acreditação. A diretoria precisa querer realmente adotar as melhorias necessárias para que toda a organização se mobilize.
Existe uma visão equivocada de que a acreditação é algo que exige um alto investimento. O que vemos, porém, é que é menos uma questão financeira e mais de engajamento para promover mudanças nos processos. Por isso, o envolvimento da alta liderança e da equipe médica é um fator determinante.

YC: O paciente também possui responsabilidades em relação à sua segurança. Como as instituições podem empoderá-lo de informação e incentivar sua participação neste processo?

Dr. José Branco: Devemos lembrar que o cuidado em saúde é centrado no paciente. O processo decisório sobre procedimentos e tratamentos tem obrigação de ter a participação do paciente e seus familiares. Uma forma de a instituição fazer com que o paciente saiba como pode ser parte do processo de sua própria segurança é ensiná-lo, por meio de campanhas internas, por exemplo. Em cada processo no qual o paciente pode intervir para sua segurança, a organização pode mostrar como fazê-lo. Por exemplo: indicar que o paciente precisa lavar as mãos; conferir seu nome em um exame e conferir a marcação de uma cirurgia. Tudo isso faz parte do processo de segurança e é fundamental a participação do paciente.

YC: Segundo dados de pesquisas nacionais e internacionais revelados pelo IBSP em recentes reportagens no site do instituto, milhares de pessoas são vítimas de erros e falhas na assistência todos os anos em hospitais pelo mundo. Assim também é a realidade do Brasil. Quais são os principais eventos adversos e incidentes associados à mortalidade de pacientes?

Dr. José Branco: A pesquisa inédita, publicada no British Medical Journal, mostra que os eventos adversos preveníveis em hospitais são a terceira principal causa de morte em os EUA, depois de doenças cardíacas e câncer. Isto mostra que morre mais gente decorrente de um evento adverso do que de disfunções respiratórias, acidentes, diabetes e até por suicídio.
De acordo com um estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) os “eventos adversos” podem ser a primeira ou segunda causa de óbitos no País, à frente das doenças cardiovasculares, que mataram 339.672 pessoas, ou câncer, com 196.954 óbitos, em 2013. Os eventos adversos que causam morte são muito variados e podem estar relacionados ao uso de medicamentos, como erro de dosagem ou de aplicação, e até associados à infecção hospitalar.

YC: Durante todo o mês de Abril, a ONA e o IBSP disponibilizam conteúdos gratuitos sobre Segurança do Paciente. Também será realizado, entre os dias 26 e 28, o II Simpósio Internacional de Qualidade e Segurança do Paciente. O que os profissionais e as instituições de saúde podem esperar dessa grande imersão de informações sobre o tema?

Dr. José Branco: O IBSP, a ONA e o Institute for Safe Medication Practices (ISMP Brasil) são instituições que buscam incessantemente colaborar com a melhoria da assistência no Brasil, e acreditam que sensibilizar tanto os profissionais de saúde quanto os próprios pacientes na busca por um cuidado de saúde de qualidade e seguro é o caminho para evitar eventos adversos. Nosso objetivo é engajar a sociedade como um todo na promoção de uma assistência à saúde de qualidade, oferecendo muito conteúdo de qualidade para que todos saibam como podem ajudar no processo de segurança do paciente. Para o II Simpósio, nós selecionamos os palestrantes e os temas com base no que há de mais importante sobre o assunto para proporcionar uma experiência rica em conteúdo e atualidade.

YC: Pensando na atuação da You Care, que tem como principal desafio estabelecer sinergias entre os participantes do setor (operadoras de saúde, clínicas, hospitais, laboratórios, indústria farmacêutica e diagnóstica, profissionais liberais, formadores de opinião e entidades) para constituir relações de ganho mútuo, desenvolver e implementar estratégias que garantam o acesso aos públicos de interesse, como acredita que podemos contribuir para o este tema no setor de saúde brasileiro?

Dr. Péricles Góes da Cruz: Essa sinergia que a You Care promove entre as organizações do setor é de extrema relevância. Uma vez que os desafios enfrentados no que diz respeito à cultura de segurança do paciente são muito próximos para todas as organizações, ela pode estabelecer uma troca benéfica de experiências para as empresas do setor de saúde.

Sobre Dr. Péricles Góes da Cruz, gerente de relações institucionais da ONA

Dr. Péricles Góes da Cruz_ONA

Médico, Pós-graduado em Administração Hospitalar e em Gerência Hospitalar. Um dos Fundadores da ONA, coautor da primeira edição do Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar em 1998 e dos demais Manuais de Acreditação desenvolvidos na ONA até os dias atuais e atualmente Gerente de Relações Institucionais da Organização Nacional de Acreditação.

Sobre Dr. José Branco, fundador e diretor executivo do IBSP.

Dr. Jose Branco_IBSP_mp_0093

Médico infectologista, MBA em gestão em Saúde pela FGV, Patient Safety Executive Development Program (IHI) e Vice-Diretor Clínico.

Sobre a ONA
A Organização Nacional de Acreditação (ONA) é uma entidade não governamental e sem fins lucrativos que certifica a qualidade de serviços de saúde, com foco na segurança do paciente. É reconhecida pela ISQua (International Society for Quality in Health Care), associação parceira da OMS e que conta com representantes de instituições acadêmicas e organizações de saúde de mais de 100 países.
Com 17 anos de atuação e mais de 500 instituições certificadas, a ONA se consolidou como a principal acreditação de saúde do país.
Seus manuais são específicos para nove diferentes tipos de estabelecimentos: hospitais, ambulatórios, laboratórios, serviços de pronto atendimento, home care, clínicas odontológicas, clínicas de hemoterapia, serviços de terapia renal substitutiva e serviços de diagnóstico por imagem, radioterapia e medicina nuclear. A ONA também certifica serviços de apoio a instituições de saúde, como lavanderia, dietoterapia, esterilização e manipulação.

Sobre o IBSP
O IBSP – Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente é uma entidade não governamental, com fins lucrativos, que trabalha fortemente a segurança do paciente nas organizações de saúde. O foco principal da atuação do instituto é a capacitação em prol da melhoria da qualidade e segurança do paciente, com enfoque na prevenção de falhas e na melhoria do processo assistencial através de: implantação do núcleo de segurança do paciente, análise de eventos adversos, gerenciamento de risco, coaching para lideranças e diretoria em segurança do paciente, eventos nacionais e internacionais, treinamentos e consultoria. O IBSP coloca à disposição do público, de forma gratuita, o maior portal de conteúdo exclusivo sobre segurança do paciente – www.segurancadopaciente.com.br.

  • 17 Abr, 2017
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