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Dani Talk’s #36 Martha Oliveira – O poder do vínculo e o que o modelo holandês de saúde pode nos ensinar.

No episódio 36 do Dani Talks, a Dani entrevista Martha Oliveira, CEO e fundadora da empresa Laços. Ela foi Presidente Substituta da ANS no passado, participou da Diretoria de Desenvolvimento Setorial da ANS, foi Diretora Executiva da Associação Nacional de Hospitais Privados – ANAHP e Diretora de Inovação e Negócios Estratégicos – QUALIREDE. É Doutora em Envelhecimento pela UERJ, Mestre em Saúde Pública e Epidemiologia pela UFRJ e Especialista em Saúde Suplementar. Atualmente Martha é CEO da Laços Saúde.

De início, Dani dá as boas-vindas à Martha enaltecendo o trabalho feito ao longo dos anos e o quanto temos que tomar decisões tão difíceis, como largar a segurança do dia a dia sem saber o que irá acontecer, mas inovar e empreender no Brasil é muito gratificante.

Dani, avaliando a carreira de Martha desde a ANS e acompanhando os principais desafios que ela enfrentou, provoca a convidada dizendo que acredita que a Laços é o maior desafio profissional de sua carreira até então, mas gostaria de ouvir Martha falar à respeito.

“Tem três coisas que eu sempre quis muito, de alguma forma, mexer, e isso passou por toda minha carreira. Eram coisas muito comuns (…). Eu acho que você fazer um modelo diferente de saúde, acreditando que qualidade faz diferença e que você pode fazer diferente do modelo existente, sempre foi uma coisa que eu estava tentando fazer.
Seja induzindo o mercado, que é muito mais difícil, seja, de fora, implantando, é muito mais fácil você fazer alguma coisa diferente começando do zero do que no meio do caminho de uma instituição muito grande, você tenta torcê-la todinha para virar para outro canto. Talvez tenham que nascer empresas que comecem a construir coisas diferentes e que vão se acoplando no que já existe”.

“Trazer o novo, um modelo diferente, que dá pra sustentar o setor inteiro, é uma coisa que eu sempre quis, e hoje a gente está botando em pé e conseguindo mostrar que dá certo.”
Dani, colocando dentro da perspectiva da Laços, percebe que a Martha aderiu fortemente a um modelo holandês, e quer saber o por quê. A convidada conta que durante o doutorado, que foi estimulado pelo que viveu em 15 anos na ANS, enxergando o setor de uma forma neutra e privilegiada. Naquele momento ela já enxergava o envelhecimento como um grande desafio, e uma oportunidade de trazer qualidade para os que envelhecem no Brasil. Então, começou uma busca em trazer algo novo pra essa realidade. Foi quando iniciou seu doutorado com o olhar voltado para este despertar de consciência, em transacionar o setor da saúde, que até então estava congelado em um modelo da década de 60, para algo que pudesse ser adaptável, bom para o Brasil e que pudesse ser justificável o seu uso.
No modelo do sistema de saúde holandês, o que mais chamou a atenção de Martha inicialmente foi o porque eles implementaram um novo modelo, e foi por ter chegado em um determinado limite, por conta do envelhecimento da população. Dessa forma eles precisavam evitar que os idosos fossem às instituições de longa permanência (porque eram muitas pessoas e não havia a possibilidade de atender a todos), mantê-los em casa e com autonomia. Então foi criada uma nova camada de atendimento, com enfermeiras, com foco em autonomia, autocuidado e manutenção de funcionalidade. Com isso houve uma redução de custo do sistema de saúde em 40%.

No mundo, surgiram muitos movimentos como o Moving Health Home, que fala do deslocamento do cuidado para a casa do paciente.

No decorrer do bate-papo, Dani e Martha trocaram muitas informações, falaram sobre o cenário do envelhecimento populacional do Brasil, que está em 15%, mas considerando as operadoras focadas em idosos, há algumas que tem 50, 60% de sua carteira com tal população, e o quanto nosso país está em aceleração para esse cenário, de forma que em outros países demora-se 100 anos para se ver este cenário e aqui em questão de 10 anos já teríamos um colapso na saúde.

“Vale ressaltar, que a gente não pode só assistir ao caos chegar, mas podemos ver que há 3 anos já estamos voltando nossos olhos para esse tema e trabalhado para a mudança dessa realidade aconteça”, diz Martha.

Sabemos que os múltiplos cuidadores fizeram com que o paciente perdesse seus vínculos, ou seja, não há mais o médico que cuida da saúde do paciente por anos, e isso fez com que o paciente também se sinta órfão. Isso influencia também na quantidade de medicamentos que o indivíduo passa a tomar com essa pluralização de cuidadores de sua saúde.

Outro fator, citado por Martha, foi a mudança da forma de atendimento, que antes era efetivamente presencial, e que agora se torour consideravelmente efetiva a forma híbrida, ora presencial, ora via telemedicina, o que facilita o manter o paciente em casa.

Dani ainda aproveita o tempo da convidada perguntando como podemos participar do processo de envelhecimento mais seguro, saudável e consciente, e Martha afirma que autocuidado representa 80% do nosso cuidado. É preciso despertar cedo nossa consciência para isso.

E também, Dani pergunta para Martha se ela fosse convidada para falar em uma importante revista do setor, qual seria a chamada de capa, e ela afirma: “eu gostaria que fosse – A empresa que resgatou o vínculo!”

Esse bate-papo traz muita informação, muita leveza e clareza. Vale investir tempo para ouvir esse episódio fantástico!

 

Confira o episodio na íntegra: https://open.spotify.com/episode/7awx2dZjE1WBAvNPh1F8Bp?si=3f38035ac07d412f

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