Quando um comercial de refrigerante vira uma aula de estratégia de marca
E por que isso pode ser uma virada importante para quem atua em saúde
Na última semana, a Pepsi lançou um comercial que é muito mais profundo do que parece à primeira vista. Intitulado The Choice, ele será exibido durante o Super Bowl 2026 e já está gerando conversas relevantes no mundo do marketing.
📺 Assista ao comercial aqui: https://www.youtube.com/watch?v=pPHI2zNf_ww
O anúncio brinca com o icônico Urso associado à Coca-Cola. Sem citar a marca diretamente, o personagem participa de um teste cego e faz sua escolha. A narrativa é simples, divertida e extremamente simbólica.
Mas o que realmente importa não é o refrigerante.
É a estratégia por trás da mensagem.
Depois de mais de 20 anos atuando com marketing, marcas e estratégia, grande parte desse tempo dedicada ao setor de saúde, aprendi uma verdade que raramente aparece nos briefings: Marketing não é sobre o que a marca diz. É sobre o que as pessoas lembram.
Esse comercial funciona porque o urso não precisa de logotipo, não precisa de produto e não precisa de explicação. Quando isso acontece, a marca deixa de ser comunicação e passa a ser memória coletiva.
Aqui está um ponto central.
Nada disso é acaso.
Por trás dessa ideia existe uma agência que entende técnica, comportamento humano, risco e estratégia. Criatividade não está solta. Ela está ancorada em leitura cultural, timing e posicionamento. Usar o símbolo emocional mais forte do concorrente exige clareza estratégica absoluta.
E é aqui que entra a virada.
O momento de virada acontece quando a marca entende que precisa ser lembrada antes de tentar convencer.
No setor de saúde, isso é ainda mais evidente. O paciente não escolhe um laboratório, uma clínica ou um hospital apenas no momento do agendamento. Ele escolhe aquilo que já ocupa um lugar claro na mente dele.
Confiança não nasce na conversão. Confiança é construída muito antes.
Vejo diariamente marcas extremamente qualificadas, com excelente corpo técnico e estrutura impecável, que ainda assim perdem espaço. Não por falta de qualidade, mas por falta de presença mental.
Empresas de saúde não perdem relevância por falta de competência. Elas perdem relevância porque deixam de ser lembradas.
E aqui fica a provocação desta edição da Viradas:
Se o seu paciente tivesse que escolher hoje, sem comparar tecnicamente, ele lembraria da sua marca?
A memória começa muito antes do funil de vendas. E entender isso pode ser a sua próxima grande virada.
